Só por ti, Jesus, quero me consumir, como vela que queima no altar, me consumir de amor!
Só por ti, Jesus, quero me derramar, como o rio se entrega ao mar, me derramar de amor!

Pois tu és o meu amparo e o meu refúgio, és a alegria de minh'alma!
Só em ti repousa a minha esperança, não vacilarei,
e mesmo na dor, quero seguir até o fim! Só por ti Jesus!

Eugênio Jorge



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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Formas de Oração

Formas de orar conforme o Novo Catecismo da Igreja

ARTIGO 3

NO TEMPO DA IGREJA

 2623 No dia de Pentecostes, o Espírito da promessa foi derramado sobre os discípulos, “reunido no mesmo lugar” (At 2,1), esperando-o "todos unânimes, perseverando na oração" (At 1,14). O Espírito que ensina a Igreja e lhe recorda tudo o que Jesus disse, vai também formá-la para a vida de oração.

2624 Na primeira comunidade de Jerusalém, os fiéis se mostravam “assíduos ao ensinamento dos apóstolos, à comunhão fraterna, à fração do pão e às orações" (At 2,42). A seqüência é típica da Igreja: fundada na fé apostólica e autenticada pela caridade, ela é alimentada na Eucaristia.

2625 Essas orações são sobretudo as que os fiéis ouvem e lêem nas Escrituras, atualizando-as, porém, principalmente as dos Salmos, a partir de sua realização em Cristo. O Espírito Santo, que assim lembra Cristo à sua Igreja orante, também a conduz à Verdade plena e suscita formulações novas que exprimirão o insondável Mistério de Cristo atuando na vida, nos sacramentos e na missão de sua Igreja. Essas formulações se desenvolverão nas grandes tradições litúrgicas e espirituais. As formas da oração, tal como nos são reveladas pelas Escrituras apostólicas canônicas, serão normativas da oração cristã.

 I. A bênção e a adoração

2626 A bênção exprime o movimento de fundo da oração; é o encontro de Deus e do homem; nela o Dom de Deus e a acolhida do homem se chamam e se unem. A oração de bênção é a resposta do homem aos dons de Deus: uma vez que Deus abençoa, o coração do homem pode bendizer Aquele que é a fonte de toda benção.

2627 Duas formas fundamentais exprimem esse movimento da benção: ora ela sobe, levada no Espírito Santo por Cristo ao Pai (nós o bendizemos por nos ter abençoado); ora ela implora a graça do Espírito Santo que, por Cristo, desce de junto do Pai (é Ele que nos abençoa).

2628 A adoração é a primeira atitude do homem que se reconhece criatura diante de seu Criador. Exalta a grandeza do Senhor que nos fez e a onipotência do Salvador que nos liberta do mal. É a prosternação do Espírito diante do "Rei da glória" (SI 24,9-10) o silêncio respeitoso diante do Deus "sempre maior". A adoração do Deus três vezes santo e sumamente amável nos enche de humildade e dá garantia a nossas súplicas.

 II. A oração de súplica 

2629 O vocabulário referente à súplica tem muitos matizes no Novo Testamento: pedir, suplicar, chamar com insistência, inovar, clamar, gritar e mesmo "lutar na oração". Mas sua forma mais habitual, por ser a mais espontânea, é o pedido: é pela oração de súplica que traduzimos a consciência de nossa relação a Deus: como criaturas, não somos nem nossa origem, nem senhores das adversidades, nem nosso fim último. Mas, como pecadores, sabemos, na qualidade de cristãos, que nos afastamos de nosso Pai. O pedido já é uma volta para Ele.

2630 O Novo Testamento contém poucas orações de lamentação, freqüentes no Antigo Testamento. Agora em Cristo ressuscitado o pedido da Igreja vem impregnado de esperança, embora estejamos ainda na expectativa e devamos nos converter cada dia. Brota de outra profundeza o pedido cristão, que S. Paulo chama de gemidos: os da criação em "dores de parto" (Rm 8,22), os nossos também "à espera da redenção de nosso corpo, pois nossa salvação é objeto de esperança" (Rm 8,23-24), enfim "os gemidos inefáveis" do próprio Espírito Santo que "socorre nossa fraqueza, pois não sabemos o que pedir como convém" (Rm 8,26).

2631 O pedido de perdão é o primeiro movimento da oração de súplica (cf. o publicano: “Tem piedade de mim, pois sou pecador": Lc 18,13). É a condição prévia de uma oração justa e pura. A humildade confiante nos repõe na luz da comunhão com o Pai e Filho Jesus Cristo e uns com os outros: "Então tudo o que lhe pedimos recebemos dele" (1Jo 3,22). O pedido de perdão é a condição prévia da liturgia eucarística, como da oração pessoal.

2632 A súplica cristã está centrada no desejo e na procura do Reino que vem, de acordo com o ensinamento de Jesus. Existe uma hierarquia nos pedidos: primeiro o Reino, depois o que é necessário para o acolher e cooperar com a sua vinda. Essa cooperação com a missão de Cristo e com o Espírito Santo, que é agora a da Igreja, é o objeto da oração da comunidade apostólica. É a oração de Paulo, o apóstolo por excelência, que nos revela como a solicitude divina por todas as Igrejas deve animar a oração cristã. Pela oração, todo batizado trabalha para a Vinda do Reino.

2633 Quando participamos assim do amor salvador de Deus, compreendemos que toda necessidade pode vir a ser objeto de pedido. Cristo , que tudo assumiu para resgatar tudo, é glorificado pelos pedidos que oferecemos ao Pai em seu Nome. É com essa garantia que Tiago e Paulo nos exortam a orar em todo tempo.

 III. Oração de intercessão

2634 A intercessão é uma oração de pedido que nos conforma perfeitamente com a oração de Jesus. Ele é o Único Intercessor junto do Pai em favor de todos os homens, dos pecadores sobretudo. Ele é "capaz de salvar de modo definitivo aqueles que por meio dele se aproximam de Deus, visto que ele vive para sempre para interceder por eles" (Hb 7,25). O próprio Espírito Santo “intercede por nós... pois é segundo Deus que ele intercede pelos santos" (Rm 8,26-27).

2635 Interceder, pedir em favor de um outro, desde Abraão, é próprio de um coração que está em consonância com a misericórdia de Deus. No tempo da Igreja, a intercessão cristã participa da de Cristo; é a expressão da comunhão dos santos. Na intercessão, aquele que ora "não procura seus próprios interesses, mas pensa sobretudo nos dos outros" (FI 2,4), e reza mesmo por aqueles que lhe fazem mal.

2636 As primeiras comunidades cristãs viveram intensamente forma de partilha. O Apóstolo Paulo as faz participar assim de seu ministério do Evangelho, mas intercede também por elas. A intercessão dos cristãos não conhece fronteiras: "Por todos os homens, pelos que detêm a autoridade" (lTm 2,1), pelos que nos perseguem, pela salvação daqueles que recusam o Evangelho.

 IV. A oração de ação de graças

2637 A ação de graças caracteriza a oração da Igreja que, celebrando a Eucaristia, manifesta e se torna mais aquilo que Ela é. Com efeito, na obra da salvação, Cristo liberta a criação do pecado e da morte para consagrá-la de novo e fazê-la retornar ao Pai, para sua Glória. A ação de graças dos membros do Corpo participa da de sua Cabeça.

2638 Como na oração de súplica, todo acontecimento e toda necessidade podem se tornar oferenda de ação de graças. As cartas de S. Paulo começam e terminam por uma ação de graças, e o Senhor Jesus sempre está presente. "Por tudo dai graças, pois é a vontade de Deus a vosso respeito, em Cristo Jesus" (1 Ts 5,18). "Perseverai na oração, vigilantes, com ação de graças" (CI 4,2)

 V. A oração de louvor

2639 O louvor é a forma de oração que reconhece o mais imediatamente possível que Deus é Deus! Canta-o pelo que Ele mesmo é, dá-lhe glória, mais do que pelo que Ele faz, por aquilo que Ele É. Participa da bem-aventurança dos corações puros que o amam na fé antes de o verem na Glória. Por ela, o Espírito se associa ao nosso espírito para atestar que somos filhos de Deus, dando testemunho do Filho único em quem somos adotados e por quem glorificamos o Pai. O louvor integra as outras formas de oração e as leva Àquele que é sua fonte e termo final: "O único Deus, o Pai, de quem tudo procede e para quem nós somos feitos" (1Cor 8,6)

2640 S. Lucas menciona muitas vezes em seu Evangelho a admiração e o louvor diante das maravilhas de Cristo. Chama a atenção também para as ações do Espírito Santo que estão nos Atos dos Apóstolos: a comunidade de Jerusalém", o paralítico curado por Pedro e João, a multidão que com isso glorifica a Deus, e os pagãos da Pisídia que, "alegres, glorificam a Palavra do Senhor" (At 13,48).

2641 Recitai uns com os outros "salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando e louvando o Senhor em vosso coração" (Ef 5,19; Cl 3,16). Como os escritores do Novo Testamento, as primeiras comunidades cristãs relêem o livro dos Salmos, cantando nele o Mistério de Cristo. Na novidade do Espírito, elas compõem também hinos e cânticos a partir do Acontecimento inaudito que Deus realizou em seu Filho; a Encarnação, a Morte vitoriosa da morte, a Ressurreição e Ascensão à sua direita. É dessa "maravilha" de toda a Economia da salvação que brota a doxologia, o louvor de Deus.

2642 A Revelação "daquilo que deve acontecer em breve", o Apocalipse, é comunicada pelos cânticos da Liturgia celeste, mas também pela intercessão das "testemunhas" (mártires: Ap 6,10). Os profetas e os santos, todos os que foram degolados na terra em testemunho de Jesus, a multidão imensa daqueles que, vindos da grande tribulação, nos precederam no Reino, cantam o louvor de glória daquele que está sentado no Trono do Cordeiro. Em comunhão com eles, a Igreja da terra canta também esses cânticos, na fé e na provação. No pedido e na intercessão, a fé espera contra toda esperança e dá graças ao "Pai das luzes do qual desce toda dádiva perfeita" (Tg 1,17). A fé é assim um puro louvor.

2643 A Eucaristia contém e exprime todas as todas as formas de oração. É “a oferenda pura" de todo o Corpo de Cristo "para a glória de seu Nome; segundo as tradições do Oriente e do Ocidente, "o sacrifício de louvor".

 RESUMINDO

2644 O Espírito Santo, que ensina a Igreja e lhe recorda tudo o que Jesus disse, educa-a também para a vida de oração, suscitando expressões que se renovam dentro de formas permanentes: benção, súplica, intercessão, ação de graças e louvor.

2645 Porque Deus o abençoa é que o coração do homem pode bendizer por sua vez Aquele que é a fonte de toda bênção.

2646 A oração de pedido tem por objeto o perdão, a procura do Reino como também toda verdadeira necessidade.

2647 A oração de intercessão consiste num pedido em favor de outrem. Não conhece fronteiras e se estende até os inimigos.

2648 Toda alegria e todo sofrimento, todo acontecimento e toda necessidade podem ser a matéria da ação de graças que, participando da ação de graças de Cristo, deve dar plenitude a toda a vida: "Por tudo dai graças" (l Ts 5,1 8).

2649 A oração de louvor, totalmente desinteressada, dirige-se a Deus. Canta-o pelo que Ele é; dá-lhe glória, mais do que pelo que Ele faz, por aquilo que Ele É.

 Fonte: Catecismo da Igreja Católica 2623 a 2649

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Oração diante do Santo dos Santos

Senhor, recebe meu coração contrito diante do teu altar. Eu não sou nada, Senhor! Reconheço minha miséria diante da Tua grandeza. Na paz deste momento, sinto-me tocado pela tua misericórdia. Sinto a tua presença viva e real aqui, neste lugar santo, neste solo sagrado, onde eu deveria entrar descalço! Aqui derramas graças sem fim...

Tenho pensado muito em meus amigos, naqueles que me procuram e que precisam do meu amor, da minha ajuda espiritual e material. Sei que, na minha miséria, quase nada posso lhes dar, comparado ao que eles tanto precisam...Quem sou eu, Senhor, frente às suas necessidades? Porquê o Senhor coloca em meu caminho esses irmãos, se pouco eu posso fazer por eles? Queria ser livre do tempo, dos compromissos, do trabalho, para poder me dedicar mais a eles, mas estou preso às coisas e cuidados deste mundo...

Ó Senhor, tem misericórdia da minha pobreza e pequenez. Ajuda-me, Senhor, a não desistir daqueles que precisam de mim...ajuda-me, pois meus recursos espirituais e materiais são poucos frente a tantos problemas...

Recebe, Senhor, meu coração que se derrama aqui, neste altar...recebe minha vida, Senhor, te amo...








quinta-feira, 6 de junho de 2013

AUDIÊNCIA PARTICULAR

"Rezar é ser recebido por Deus em audiência particular"

Quando li esta frase do Padre Fábio de Melo tive logo a inspiração de escrever esse post...estar na presença de Jesus... (e digo Jesus, pois Ele é a personificação de Deus Pai. Tenho uma certa dificuldade em imaginar Deus, sem ver a figura de Jesus na minha frente). "Quem me vê, vê o Pai" João 14,9.
 
Isso me recorda a passagem do evangelho de Lucas, capítulo 10, 32:  " Estando Jesus em viagem, entrou numa aldeia, onde uma mulher, chamada Marta, o recebeu em sua casa. Tinha ela uma irmã por nome Maria, que se assentou aos pés do Senhor para ouvi-lo falar. Marta, toda preocupada na lida da casa, veio a Jesus e disse: Senhor, não te importas que minha irmã me deixe só a servir? Dize-lhe que me ajude. Respondeu-lhe o Senhor: Marta, Marta, andas muito inquieta e te preocupas com muitas coisas; no entanto, uma só coisa é necessária; Maria escolheu a boa parte, que lhe não será tirada.
 

Uma só coisa nos é necessária: estar aos pés de Jesus para ouvi-lo falar...e isso não nos será tirado. Podemos perder empregos, dinheiro, pessoas queridas, relacionamentos... mas os momentos que passarmos na companhia de Deus, em oração e adoração, não nos serão tirados. Seu efeito está além do que podemos supor ou imaginar... os frutos vem quando menos esperamos:  é numa tribulação, na solidão, na angústia, que recebemos a visita de Jesus. É quando Ele nos lava os pés, nos devolvendo a dignidade e nos banhando com a água do Espírito Santo...
"Busquem em primeiro lugar o Reino de Deus e toda a sua justiça, e tudo o mais lhes será dado em acréscimo" Mt 6, 33.


 

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Combate espiritual


“Vigiai e orai, para que não entreis em tentação.
Pois o espírito está pronto, mas a carne é fraca.!” (Mc 14,38).

Estes versículos tem me perseguido desde que tive um encontro pessoal com Jesus, e desde que entreguei minha vida a Ele, pedindo que Ele fosse meu Salvador pessoal, meu Senhor e meu Deus!

A partir daquele momento experimentei um novo nascimento, e teve início em mim um novo homem, uma vida: tive que fazer um escolha deliberada entre o bem e o mal, entre a bênção e a maldição. Busquei a santidade, afastando-me do pecado e das obras da carne tão bem descritas por Paulo na epístola aos Gálatas (Gl 5, 16-26).

Mas vencer as tentações não é fácil, e depois de tantos anos combatendo, o inimigo passa a mudar sua estratégia, e adota, muitas vezes, aquela do caldeirão de água fria, onde a rã é colocada para cozinhar: quando ela menos espera, a água começa a esquentar, inicialmente morna, agradável, até que se aquece a ponto de matá-la. E quando você percebe, já caiu nas garras do inimigo. Por isso é que Jesus advertiu os seus discípulos: “Vigiai, pois, em todo o tempo e orai, a fim de que vos torneis dignos de escapar a todos estes males que hão de acontecer, e de vos apresentar de pé diante do Filho do Homem” (Lc 21,36). E São Pedro, em sua 1ª carta, nos exorta: “Sede sóbrios e vigiai. Vosso adversário, o demônio, anda ao redor de vós como o leão que ruge, buscando a quem devorar” (1 Pe 5,8).

A oração e a vigilância são a chave da vida espiritual, são elas que nos abrem para o dom do discernimento dos espíritos, essencial para a vida cristã e para a vitória no combate espiritual. Temos que estar vigilantes para não cair nas sutilezas enganadoras do demônio. A estratégia de Satanás é fazer com que nos desviemos do centro, que é Jesus, e todo o seu ensinamento, para seguirmos as inclinações da nossa própria vontade, como se pudéssemos decidir por nós mesmos pelo bem ou pelo mal, numa atitude egocêntrica e orgulhosa.
Jesus é o caminho, a verdade e a vida, e Ele é quem nos orienta a seguir o caminho certo. Por isso, Jesus orou na última ceia: “Pai, eu não peço que os tires do mundo, mas que os livre do Maligno” (Jo, 17,15). Esse livramento só é possível se estivermos Nele, ou seja, se nós, os ramos, nos mantivermos ligados à videira, que é Jesus! “Eu sou a videira; vós, os ramos. Quem permanecer em mim e Eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer” (Jo, 15-5).


Peçamos a Deus a graça de permanecer em sua Palavra, em sua Verdade, em sua Vida! Só assim poderemos vencer o Maligno e nos tornarmos inabaláveis no cumprimento do nosso dever!
Graça e Paz da parte de Nosso Senhor Jesus Cristo!